Para
que uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) tenha mais facilidade para
elaborar sua lista de compras, melhorar o cardápio e permitir diagnosticar
algum tipo de desperdício no momento do preparo dos alimentos, cada serviço de
alimentação deve estabelecer sua tabela de Fator de Correção e Cocção de acordo
com o tipo de alimento que adquire para maior segurança a respeito das
quantidades a comprar. Este artigo elaborou uma tabela de Fator de Correção
(FC) e Cocção (Fcy) para controlar o desperdício dos alimentos e serve como uma
ferramenta para contribuição dos serviços de uma UAN.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
terça-feira, 26 de maio de 2015
Técnicas de cocção em alimentos
A
cocção pode ser definida como o aumento de temperatura dos alimentos com
duração suficiente para ocasionar alterações irreversíveis (COENDERS, 1996). Há
várias técnicas de cocção em alimentos que são classificadas segundo o meio de
transferência de calor. Precisamos ficar atentos às inovações tecnológicas
relacionadas aos diversos processos de cocção para selecionarmos os métodos
mais adequados de cocção conforme os objetivos do serviço e também promover a
orientação adequada dos diversos tipos de cocção à população de uma forma em
geral.
Ficou
interessado? Leia o arquivo sobre técnicas de cocção em alimentos.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Pesquisa revela que o uso inadequado do adoçante pode não contribuir para a perda de peso
Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP revela que a utilização inadequada de adoçantes e alimentos dietéticos pode não contribuir para a redução de peso. De acordo com o trabalho da nutricionista e pesquisadora Ana Paula Gines Geraldo, além da falta de critério na dosagem do adoçante, é comum a prática de consumir alimentos dietéticos de modo a “economizar calorias” para poder ingerir alimentos mais calóricos, podendo comprometer as dietas.
A tese de doutorado, defendida no dia 17 de outubro na FSP, avaliou o comportamento de consumo de adoçantes e a sua relação com o excesso de peso corporal. Participaram do estudo adultos e idosos de duas universidades públicas do Estado de São Paulo. Ana Paula teve como orientadora a professora Maria Elisabeth Machado Pinto e Silva, docente do Departamento de Nutrição da FSP.
Os resultados revelaram que as mulheres são as maiores consumidoras de adoçantes e alimentos dietéticos, provavelmente pela maior preocupação com controle de peso e estética. Observou-se que muitas pessoas escolhem o tipo de adoçante dietético pelo sabor, apesar de alguns não terem critério para essa escolha. Além disso, um dado preocupante é que cerca de 15% referiram esguichar o adoçante líquido, ao invés de contar as gotas. Isso faz com que a pessoa perca a noção da quantidade de adoçante consumida.
Economizar calorias
Também foi verificada grande utilização da estratégia de substituir o açúcar e os doces por adoçantes e alimentos dietéticos para “economizar calorias” para poder consumir outros alimentos calóricos. Esse comportamento pode ser perigoso para o controle de peso, visto que a pessoa pode exagerar no consumo de alimentos calóricos e não obter o benefício esperado do uso do adoçante. Um exemplo disso é ir à uma lanchonete pedir o maior hambúrguer, batata, sobremesa e beber refrigerante dietético.
Ressalta-se ainda muitos consomem adoçantes dietéticos para controle de peso mas não mudam outros comportamentos, como nível de atividade física e composição da alimentação. Foram encontrados grupos de sedentários com alto consumo de adoçantes e alimentos dietéticos.
Os dados dessa pesquisa reforçam o papel do profissional de saúde em orientar a utilização de adoçantes dietéticos, com contexto de alimentação equilibrada e prática de atividade física para que a pessoa obtenha sucesso na perda de peso.
Para conferir mais informações sobre a pesquisa ouça a entrevista que a nutricionista Ana Paula Gines Geraldo concedeu a rádio CBN através do link:
http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-noite-total/2014/11/04/UTILIZACAO-INADEQUADA-DE-ADOCANTES-E-ALIMENTOS-DIETETICOS-PODE-NAO-CONTRIBUIR-PARA-RE.htm
fonte: Agência USP
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Escolhendo a panela
A escolha da panela a ser
utilizada na preparação depende de vários fatores, tais como preço,
disponibilidade, tempo de cozimento, durabilidade e facilidade de limpar,
dentre outros.
Pensando nisso, elaboramos esse
post a fim de apresentar as vantagens e desvantagens das opções disponíveis e
assim orientar a compra e a escolha da panela mais adequada ao tipo de alimento
que se vai preparar.
Bibliografia:
Quintaes, K. D. Por dentro das panelas. Editora Varela –
2005. São Paulo -SP.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Pontos da calda de caramelo
O açúcar é muito utilizado em
diversas preparações culinárias e o conhecimento das suas propriedades químicas
e físicas permite sua melhor utilização. Pode ser utilizado para conferir cor,
sabor e textura.
O ponto de fusão do açúcar é a
temperatura na qual ele passa do estado sólido para o estado líquido.
No caso da sacarose, a 160ºC
sofre a fusão e transforma-se em um líquido claro. Em torno de 170ºC, adquire
coloração parda, resultante do processo de caramelização, que confere sabor e
aroma.
À medida que se aumenta a
temperatura, a calda adquire características organolépticas (coloração e
consistência) que variam do ponto de fio ao ponto de caramelo.
As diferentes tonalidades que a
calda de caramelo adquire, de acordo com a temperatura:
Fonte: Chef Simon
A receita básica da calda de
açúcar consiste em colocar numa panela uma parte de água para duas de açúcar.
Antes de começar a cozinhar,
dissolver completamente o açúcar na água. Levar para ferver e não mexer até atingir
o ponto desejado.
Os pontos mais comuns da calda de
açúcar são definidos de acordo com suas características:
Ponto de fio leve ou calda rala (101ºC)
Ao retirar um pouco da calda com
uma colher ou garfo, um fio fino se forma, acompanha os movimentos da mão e
pode até formar desenhos se for derramado sobre uma superfície lisa. Base para
cremes e docinhos.
Fonte:
http://papinhadoce.blogspot.com.br/2013/12/ponto-de-fio-calda-de-acucar.html
Ponto de fio forte (103ºC)
Ponto em que, pressionando um
pouco a calda entre os dedos, ao afastá-los, forma-se um pequeno fio firme que
não se desfaz facilmente; é utilizado em preparações de doces em pasta, cremes
e geléias.
Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/culinaria/reportagem/be-a-ba-da-cozinha/aprenda-ponto-acucar-597220.shtml
Ponto de pérola ou gota (108ºC)
Ao retirar um pouco da calda com uma
colher de pau, forma-se um fio mais resistente do que o de ponto de fio forte.
Na extremidade, forma-se uma bola semelhante a uma pérola ou a uma gota. Usado
para ovos moles.
Fonte: http://www.pilotandoumfogao.com.br/2013/01/20/pontos-e-dicas-sobre-caldas-de-acucar/
Ponto de bala mole (110ºC)
Ao se pingar um pouco de calda em
água fria e pegá-la nas pontas dos dedos, fica macia e pode ser moldada com
facilidade; é utilizada em balas moles, merengues, geléias e caldas mais
densas.
Fonte: http://www.menudadeh.com.br/2013/07/pontos-de-calda-do-acucar.html
Ponto de bala dura (125ºC)
Ao se pingar a calda em água
fria, forma-se uma bala dura e quebradiça; é utilizada para balas duras, glaçar
doces.
Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/culinaria/reportagem/be-a-ba-da-cozinha/aprenda-ponto-acucar-597220.shtml
Ponto de caramelo (145ºC)
Nesse ponto a calda tem uma
aparência vítrea, tonalidade dourada e um perfume característico de caramelo.
Usa-se para finalizar manjares, pudins e flans, ou se acrescenta a glacês e
merengues, visando obter características sensoriais desejáveis. É também
utilizada para caramelização de formas, doces, pudins, bombon e glaçagens
diversas.
Com o aquecimento, ao se chegar a
170ºC o açúcar caramelizado não é cristalino nem solúvel em água, apresentando
sabor forte e amargo, com características sensoriais indesejáveis.
Fonte:
mdemulher.abril.com.br
Dica culinária
Para preparar um molho de
caramelo:
1 xícara de chá de açúcar
1/2 xícara de chá de água
1 caixinha de creme de leite
Após o preparo do caramelo, desligue
o fogo e, com cuidado para não se queimar, junte uma caixinha de creme de
leite. Mexa vigorosamente com um batedor de arame e sirva com bolos, frutas ou
sorvetes.
Bibliografia
Araújo, W. M. C.; Montebello, N.
P.; Botelho, R. B. A.; Borgo, L. A. Alquimia dos Alimentos - 2a. edição.
Editora Senac - 2011. Brasília - DF.
Charley, H. Food Science – 2nd edition.
Jonh Wiley & Sons, 1982. USA.
Chef Simon. Disponível em http://chefsimon.lemonde.fr/caramel.html.
Acesso em 26 de junho de 2014.
KÖVESI, B.; Siffert, C.; Crema,
C.; Martinoli, G. 400 g – Técnicas de Cozinha. EditoracNacional, 2008. São
Paulo.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Reação de Maillard (escurecimento não enzimático)
Reação de Maillard
Dentre
as diversas reações que um alimento pode sofrer durante seu processamento e/ou
armazenamento, a reação de Maillard merece uma atenção especial.
Também
chamada de escurecimento não enzimático, podendo ou não ser desejável, é uma reação
que ocorre entre os açúcares redutores (possuem grupos aldeídos e cetonas
livres na sua estrutura) e os aminoácidos dos alimentos. São exemplos de
açúcares redutores: glicose, frutose, lactose, maltose, galactose.
É
muito útil quando os produtos da reação tornam o alimento mais aceitável
justamente pela cor e sabor produzidos (como no caso do doce de leite) e
prejudicial quando os produtos resultantes oferecem sabor e cor indesejáveis
(por exemplo no suco de laranja).
Alguns
fatores interferem a velocidade da reação de Maillard e devem ser observados a
fim de se controlar seus produtos resultantes.
Temperatura
A
reação é lenta a temperaturas baixas e sua velocidade praticamente duplica a
cada aumento de 10ºC entre 40º e 70ºC. Alimentos congelados ou resfriados são
pouco atingidos quando armazenados por períodos curtos.
pH
Em
meio ácido a reação é mais lenta, atingido sua velocidade máxima perto da
neutralidade, com pH 6 – 7. Em meio alcalino há rápida degradação dos
carboidratos, independentemente da presença do aminoácido.
Atividade de água
Quando
os reagentes estão muito diluídos (atividade de água superior a 0,9) há
diminuição da velocidade e tende a zero quando há falta de meio (solvente) para
a reação acontecer (atividade de água está abaixo de 0,2-0,25 ou a valores
menores).
Natureza do carboidrato
A
reação é mais rápida com os monossacarídeos (e dentre esses ocorre mais
rapidamente com as pentoses, depois pelas hexoses) seguidos dos dissacarídeos.
Entre
as hexoses a velocidade da reação é maior com a glicose do que com a frutose.
Natureza do aminoácido
A
velocidade da reação é decrescente na ordem: aminoácido básico (lisina),
aminoácido ácido (glutâmico) e aminoácido neutro (glicina). As velocidades
relativas são afetadas pelo pH, dependendo do ponto isoelétrico de cada
aminoácido.
Efeito de catalisadores
A
presença de ânion como fosfato e citrato aceleram a reação de Maillard.
Inibição da reação
A
adição de dióxido de enxofre praticamente inibe a reação se adicionado nos
estágios iniciais da reação.
Produtos da reação de Maillard e a saúde
humana
A
Reação de Maillard compromete os aminoácidos essenciais, notadamente a lisina,
levando à perda do valor biológico de alimentos. Dessa forma, as condições de
manufatura devem ser cuidadosamente escolhidas, visando garantir não apenas as
características sensoriais, mas também o valor nutricional adequado.
O
consumo dos produtos formados pela Reação de Maillard na dieta ocidental
aumentou consideravelmente nas últimas décadas, em função do incremento do
consumo de alimentos termicamente processados. Esse quadro pode acarretar
desequilíbrio relativamente à reação de glicação, com importantes implicações
para a população com diabetes e insuficiência renal. Pode, ainda, aumentar o
risco de doenças vasculares e neurodegenerativas em grupos populacionais que
estejam expostos ao consumo excessivo dessas substâncias.
A Reação de Maillard produz compostos intermediários, os quais podem se agrupar formando compostos de alto peso molecular, dentre eles as melanoidinas e as aminas heterocíclicas.
As melanoidinas, que são complexantes de metais, escurecem os alimentos e sua cor varia do marrom claro até o preto, conforme o seu peso molecular.
As
aminas heterocíclicas encontram-se entre as substâncias mutagênicas conhecidas
mais potentes, causando tumores em animais de experimentação, principalmente na
bexiga. Atualmente vem sendo analisada sua correlação com a incidência de
câncer de mama, cólon e próstata. Ainda há evidências de que elas afetam o
sistema vascular, as glândulas salivares e de que levam à degeneração
miocardial. Entretanto, é importante salientar que cada organismo reage de
maneira específica, tolerando maiores ou menores doses desses compostos.
Bibliografia
Bobbio,
P. A.; Bobbio, F. O. Química do Processamento de Alimentos – 3ª edição.
Livraria Varela – 2001. São Paulo – SP.
Marques,
A. C.; Valente, T. B.; Rosa, C. S. Formação de toxinas durante o processamento
de alimentos e as possíveis conseqüências para o organismo humano. Revista de Nutrição,
Campinas , v. 22, n. 2, Abril de 2009. Disponível em
. Acesso em 24 de junho de 2014.
Shibao,
J.; Bastos, D. H. M. Produtos da reação de Maillard em alimentos: implicações
para a saúde. Revista de Nutrição, Campinas, v.24, n.6, pp. 895-904, Dec. 2011.
Disponível em .
Acesso em 17 de junho de 2014.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Solução de problemas
Nem
sempre as receitas saem como planejadas e infelizmente não temos como recuperar
uma que deu errado... mas se soubermos o porquê de não ter dado certo poderemos
acertar na próxima - antes de dizer que a receita não funciona.
Mais
uma vez podemos ver o quanto a Técnica Dietética é importante!
Adaptado de:
Barham,
P. A Ciência da Culinária. Editora Roca – 2002. São Paulo – SP.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Técnicas de preparo de bolos
Os
bolos são resultado de uma mistura de farinha, fermento, ovos, gordura e um
líquido, que pode ser leite, iogurte, água ou suco de fruta. Dependendo do tipo
de bolo podem ser adicionados outros ingredientes a essa massa básica.
A
consistência da massa dos bolos varia de acordo com a presença de certos
ingredientes e pode ser classificada como de estrutura cremosa ou de estrutura
leve.
Massas de estrutura cremosa
Na
preparação desse tipo de massa, começa-se batendo a manteiga junto com o
açúcar; em seguida adicionam-se os ovos e, por último, a farinha e os
aromatizantes desejados. Essas massas não têm uma estrutura muito aerada,
motivo pelo qual se acrescenta às preparações algum ingrediente capaz de
produzir gás carbônico (como o fermento em pó ou o bicarbonato de sódio). Esses
ingredientes, ao entrarem em contato com o calor durante o cozimento no forno,
se transformam em gás e provocam o aumento do volume das massas, tornando-as
mais aeradas.
São
exemplos desse tipo de massa: bolo simples, bolo de libra (bolo quatro-quartos)
Receita do bolo de libra
(quatro-quartos):
Ingredientes:
250g
de ovos
250g
de açúcar
250g
de farinha de trigo
250g
de manteiga sem sal (derretida)
Modo
de preparo:
Bater
as gemas com a metade do açúcar, até ficarem brancas.
Bater
as claras com a outra metade do açúcar.
Despejar
a manteiga derretida, morna, sobre a mistura de gemas branqueadas.
Peneirar
metade da farinha sobre a mistura.
Juntar
metade das claras batidas com açúcar à preparação de gemas, misturando
delicadamente.
Acrescentar
o restante da farinha peneirada. Ligar bem com uma espátula.
Por
último, juntar as claras restantes mexendo delicadamente.
Verter
a mistura numa forma redonda untada com manteiga e polvilhada com farinha (pode
também ser usada uma forma de bolo inglês).
Levar
ao forno para assar durante cerca de 30 minutos.
Pode
ser servido puro ou com o recheio desejado.
Massas de estrutura aerada
As
massas com esse tipo de estrutura podem ser obtidas por dois métodos distintos:
·
No primeiro,
batem-se os ovos inteiros com o açúcar até que fiquem bem aerados e aumentem de
volume. Em seguida são acrescentados os ingredientes secos.
·
No segundo
método, são batidas separadas as gemas e as claras com o açúcar. Os
ingredientes secos entram no final. Além disso, é possível dar sabores
distintos às massas adicionando-se diversos aromatizantes. As massas adquirem
uma consistência mais leve e são mais frágeis para se trabalhar.
São
exemplos desse tipo de massa: pão-de-ló (génoise), pão-de-ló fino (biscuit)
Receita do pão-de-ló (génoise):
Ingredientes:
4 ovos
125g de açúcar cristal
125g de farinha de trigo
50g de manteiga sem sal
(derretida)
Aromatizante (opcional)
Modo de preparo:
Colocar os ovos com o açúcar
dentro de uma tigela, em banho-maria.
Bater energicamente até que a
preparação atinja 50ºC.
Passar a mistura para uma
batedeira e bater até o ponto de fita.
Juntar o aromatizante
desejado (se estiver usando).
Colocar a mistura numa tigela
grande.
Peneirar a farinha sobre
papel manteiga.
Ir juntando a farinha aos
poucos, sob a forma de “chuva”.
Ligar os ingredientes
misturando delicadamente.
Adicionar a manteiga
derretida morna e misturar.
Despejar em uma forma untada
com manteiga e enfarinhada.
Levar ao forno a 180ºC para
assar por 30 a 40 minutos.
O pão-de-ló pode ser servido
recheado ou usado como base para a montagem de tortas.
Bibliografia
Philippi, S. T. Nutrição e Técnica
Dietética – 2ª edição. Manole – 2006. Barueri – SP.
Sebess, M. Técnicas de Confeitaria Profissional – 2ª edição. Senac – 2009. Rio de Janeiro – RJ.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Adoçantes: o que são e como utilizá-los
Segundo
a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, adoçantes (também chamados de edulcorantes)
são substâncias diferentes dos açúcares que conferem sabor doce ao alimento
(BRASIL,1997).
Ou
seja, são produtos capazes de adoçar um alimento em substituição ou em adição a
um açúcar naturalmente presente.
Podem
ser não calóricos ou de baixa caloria e classificados em naturais ou
sintéticos, de acordo com a forma em que foram obtidos.
A
Tabela abaixo mostra a origem e a doçura relativa (se comparado à sacarose do
açúcar comum) dos adoçantes:
Adoçante Doçura relativa (sacarose=1)
Ciclamato
(sintético) 30
Glicirrizina
(natural) 50-100
Aspartame
(sintético) 180-200
Acessulfame
de potássio (sintético) 200
Esteviosídeo
(natural) 300
Sacarina
(sintético) 300-400
Sucralose
(sintético) 600-800
Taumatina
(natural) 1600-2000
Alitame 2000
Neotame 7000-13000
A
escolha do adoçante mais adequado à preparação depende de suas características,
tais como: solubilidade, resistência ao aquecimento, estabilidade no pH do
alimento em que será aplicado, sabor mais próximo ao da sacarose, isto é, menor
efeito residual (lingering effect) e sem
sabor além do doce (after-taste).
A
sacarina é instável quando aquecida, porém não reage com outras substâncias
presentes nos alimentos, o que a torna estável durante o armazenamento.
O
ciclamato é estável sob aquecimento e frequentemente associado a outros
adoçantes, especialmente a sacarina, na proporção de dez partes de ciclamato
para uma de sacarina, o que mascara o sabor residual desagradável de ambos.
O
aspartame não apresenta sabores residuais desagradáveis, entretanto o gosto
doce parece se desenvolver mais lentamente e persistir por mais tempo. Suas
desvantagens são a instabilidade sob condições ácidas e a rápida degradação sob
aquecimento.
O
acessulfame de potássio possui qualidade de doçura entra a da sacarina e a do
ciclamato, podendo apresentar notas de gosto metálico ou amargo em
concentrações superiores. Geralmente é associado ao aspartame. É muito estável
a altas temperaturas (como as de forno) e também em meio ácido.
A
sucralose apresenta alta solubilidade em água e alta estabilidade em altas
temperaturas, o que também a torna um bom ingrediente para produtos forneados.
O
esteviosídeo tem seu gosto doce seguido de um forte gosto amargo residual e
apresenta boa estabilidade até 120ºC.
Para
substituir o açúcar corretamente nas preparações, é preciso saber qual a sua
função em cada produto:
Funções do açúcar nas preparações
Açúcar
é o adoçante mais versátil de todos os que estão disponíveis. Seu uso é comum
em uma variedade de alimentos muito grande devido a seus muitos atributos, que
não podem ser duplicados por nenhum outro ingrediente.
Produtos Assados
A
função principal do açúcar nos produtos assados é agir como substrato ou meio
para a fermentação do levedo. O açúcar é consumido pelo levedo e os produtos da
fermentação contribuem para o sabor, volume, aroma e cor do produto final. Também
ajuda na retenção da umidade dos produtos assados, retardando seu
envelhecimento e estendendo sua vida de prateleira.
Em
alguns produtos assados, açúcares marrons ou melados são usados para dar cor e
sabor mais atraentes.
Merengues
Em
merengues e pães-de-ló, o açúcar fortalece a liga protéica e estabiliza a clara
de ovo batida. Quando o açúcar é introduzido nas claras de ovos, ele dá uma
força adesiva à proteína e assim possibilita que a mistura retenha uma porção
grande de ar.
Bolos
Na
confecção de bolos, açúcar granulado é usado para incorporar ar à gordura
durante a preparação do creme, para produzir bolos leves. Quando o açúcar é
batido com a manteiga ou margarina, ar é aprisionado nos cristais de açúcar
cobertos pela gordura, produzindo uma textura leve no produto final. Quando
açúcar e farinha estão presentes na mistura, o açúcar dissipa as moléculas de
proteína do glúten da farinha. Mantendo o glúten macio, o açúcar permite que
ele cresça mais, dando volume e leveza à mistura.
Bolachas
Nas
bolachas, o açúcar contribui com a doçura e cor no produto final. Ele produz
grãos mais lisos, tornando a massa mais fácil de espalhar.
Condimentos
Uma
pequena porção de açúcar pode ser usada para realçar o sabor desejado em um
produto, sem adicionar doçura. Por exemplo, uma pitada de açúcar modifica a
acidez de ingredientes e ajuda a misturar o sabor de condimentos como mostarda,
molhos e temperos para saladas. Uma colher de chá de açúcar caramelizada em
molhos quentes ou caldos de carnes não só dá uma cor marrom rica como também
melhora o sabor.
Confeitaria
A
presença do açúcar na confeitaria é essencial ao sabor, textura e aparência
desses alimentos. A confeitaria é largamente baseada na manipulação do açúcar
para atingir efeitos de texturas especiais.
O
açúcar também pode ser fervido, passar por muitos estágios até se tornar
caramelo. Trata-se de uma reação de escurecimento importante para dar coloração
aos produtos.
Diferenças
na textura são muito importantes na qualidade do confeito. A cristalização do
açúcar é considerada indesejável em doces lisos e duros, e ainda é essencial
para a textura do doce de chocolate cremoso.
Quando
o açúcar marrom é usado para substituir açúcar branco, um sabor característico
pode se desenvolver, que é adequado para uma variedade de produtos de
confeitaria.
Produtos de Laticínios
O
açúcar contribui para o sabor de produtos de laticínios tais como iogurte,
sorvete e leite com sabores. Ele colabora no desenvolvimento das texturas
cremosas de sorvete e de doces de cremes. Um conteúdo elevado de açúcar em
sorvetes abaixa o ponto de congelamento, produzindo um produto mais liso.
O
leite, quando submetido ao calor constante na presença de açúcar passa a
apresentar coloração marrom devido à reação de Maillard, que ocorre entre os
açúcares redutores e os aminoácidos. Dessa forma, o açúcar contribui para a
coloração de produtos lácteos.
Em
cremes de ovos, açúcar ajuda a retardar a coagulação da proteína dos ovos. Esse
fator evita que o creme “quebre” durante o cozimento, formando uma textura mais
firme, fina e lisa.
Frutas
O
açúcar age como preservativo em frutas enlatadas, evitando o crescimento de
bolores e leveduras. Ele também auxilia na manutenção da firmeza da fruta e na
proteção da fruta contra o ressecamento, uma vez que a lata é aberta.
Açúcar
também é usado como preservativo na fabricação de compotas. Ligando-se à água
disponível, o açúcar previne contra o crescimento de bactérias prejudiciais.
Para representar esse papel e como um auxílio na montagem e formação do gel, o
açúcar deve estar a uma alta concentração em compotas e geléias.
Vegetais
Uma
pequena porção de açúcar normalmente é adicionada aos vegetais em
processamento, aí ele age como intensificador do sabor e não como adoçante e
melhora o corpo e textura do produto final. Tomates e molhos à base de tomates
são menos ácidos se uma pitada de açúcar for adicionada, melhorando assim o
paladar.
Carnes
O
uso de açúcar na indústria da carne é pequeno, mas tem papel fundamental como
agente aromatizante no processo da carne curada (exemplo. Presuntos, bacons,
salsichas e salames).
O
açúcar auxilia na estabilização da cor vermelha nas carnes curadas, reduzindo a
perda do encolhimento durante a defumação e cozimento, e ajuda a manter o
produto úmido e suculento.
A
cobertura de açúcar em carnes assadas, como presunto assado, costelas e patos,
ajuda a reter a umidade na superfície e evita que ela seque.
Aplicações dos adoçantes em Técnica Dietética
Os
adoçantes utilizados em preparações devem ser sempre os de uso culinário, a fim
de garantir um bom resultado. Isso porque o adoçante culinário pode ir ao forno
e fogão sem perder as suas características, o seu poder adoçante, nem deixar o
retrogosto amargo, substituindo o açúcar. Porém, nas receitas o açúcar não tem
apenas a função de adoçar, mas também de dar volume, textura e cor às
preparações.
Desta forma, ao utilizar o adoçante
culinário em receitas tradicionais que indicam o uso do açúcar, siga algumas
dicas para ter um melhor resultado:
• A
indicação de uso do adoçante granular na mesma proporção que açúcar refere-se
ao volume: uma colher para uma colher; uma xícara para uma xícara, mas não
equivale em peso. Para
receitas que indiquem a quantidade de açúcar em gramas, é necessário converter
pelo índice 1/10.
•
Quando a receita indicar bater todos os ingredientes juntos, bata por mais
tempo, para que haja adequada homogeneização dos ingredientes e incorporação de
ar.
•
Nas massas, sempre bata o adoçante com a manteiga para que haja incorporação de
ar, resultando em melhor textura da preparação.
•
As preparações feitas com adoçantes não terão a mesma cor se comparadas às
receitas com açúcar, pois este carameliza. Para melhorar a aparência, você pode
adicionar à receita cacau, canela, essência de baunilha ou outros ingredientes
que dêem cor.
•
O tempo de cocção de receitas com adoçante, em geral, é menor que o das
receitas com açúcar. Para bolos, a redução do tempo de cocção é, em média, de 7
a 10 minutos e para biscoitos de 1 a 2 minutos. Em caldas e molhos, o cozimento
também será mais rápido, pois não haverá caramelização (nestas preparações não
é possível atingir a mesma consistência que nas receitas com açúcar).
•
Em cookies, brownies e muffins, para cada xícara de adoçante, adicione meia
colher (sopa) de bicarbonato de sódio.
•
Para polvilhar bolos e tortas, você pode misturar para cada 5 colheres (sopa)
de adoçante, 1 colher (sopa) de amido de milho, passando a mistura por uma
peneira fina.
Substituindo
o açúcar por adoçante e seguindo essas dicas você pode obter ótimos resultados
e saborear preparações mais leves.
Bibliografia
Açúcar Guarani. Disponível em: http://acucarguarani.com.br/hp/consumidor/uso.php.
Acesso em 27 de maio de 2014.
Araújo, W. M. C.; Montebello, N. P.; Botelho, R. B. A.; Borgo, L. A. Alquimia dos Alimentos - 2a. edição. Editora Senac - 2011. Brasília - DF.
Bobbio,
P. A.; Bobbio, F. O. Química do Processamento de Alimentos – 3ª edição.
Livraria Varela – 2001. São Paulo – SP.
BRASIL.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Ministério da Saúde. Portaria n° 540,
de 27 de outubro de 1997. Regulamento
Técnico: Aditivos Alimentares. Diário Oficial da União, Brasília, 1997.
Linea Sucralose. Disponível em http://www.lineasucralose.com.br/receitas/dicas-e-destaque.
Acesso em 04 de junho de 2014.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
E se eu não puder comer... glúten, leite, ovos?
Uma dúvida muito comum em pessoas
que não podem consumir determinados alimentos é como fazer a substituição
correta, sem que haja prejuízo à receita.
Nesse post abordaremos algumas
formas de substituir o leite, os ovos e os cereais que contêm glúten nas
receitas, para que dêem certo!
Para substituir os cereais que contêm glúten
O glúten é responsável por
conferir estrutura e elasticidade em pães, massas e bolos e aparece
naturalmente em cereais não industrializados: trigo, cevada, centeio, aveia,
triticale. Para substituí-lo nas receitas utilize misturas prontas de farinha
sem glúten e fermento, ou faça a sua, com arroz, amido de milho, farinha de
fubá, fécula de batata, trigo-sarraceno, grão-de-bico, lentilhas, soja ou
farinha de castanhas. A massa sem glúten pode ficar quebradiça, mas não coloque
mais água. As farinhas de soja, grão-de-bico, lentilhas e a fécula de batata
têm sabores marcantes. As mais leves são as de arroz, amido de milho, fubá e
polvilho doce.
Uma combinação de farinhas
indicada pela Associação dos Celíacos do Brasil (ACELBRA) para o preparo de
bolos, tortas, panquecas é:
3 xícaras de farinha de arroz
1 xícara de fécula de batata
½ xícara de polvilho doce
1 xícara de fécula de batata
½ xícara de polvilho doce
Em massas e
macarrão
Use outros alimentos ricos em carboidratos: arroz,
fubá, batata, cará, mandioca, batata-doce
Como
espessante
Use uma colher de sopa de amido de milho para
engrossar 250 ml de líquido. Para sopas, junte arroz cozido, batatas cozidas em
cubos ou pão e passe rapidamente pelo processador.
Para melhorar a textura e obter
elasticidade nos produtos sem glúten, podem ser empresados alguns aditivos como
a GOMA GUAR, a GOMA XANTANA e a carboximetilcelulose (CMC). Estes ingredientes
são facilmente encontrados em lojas especializadas em produtos de patisserie e
doces e também em lojas especializadas em produtos para pessoas com restrição
alimentar.
A goma xantana é melhor empregada
na elaboração de bolos, tortas e pães, assim como o CMC. Não é recomendado usar
a goma guar em receitas muito ácidas e cítricas, pois pode perder suas
qualidades.
As gomas podem ser adicionadas às
farinhas antes de começar a preparação da receita. Também podem ser misturadas
ao óleo antes de adicionar aos demais ingredientes para a dissolução adequada.
A proporção mais indicada para
utilização é a de ½ a 2/3 de colher de chá para cada xícara de farinha
empregada.
Para
substituir ovos
Linhaça
Utilize uma colher de sobremesa de linhaça para
substituir cada ovo. Bata as sementes de linhaça no liquidificador para
moê-las; coloque em um recipiente de vidro e deixe hidratar com 2 colheres de
sobremesa água, por no mínimo 10 minutos.
Use normalmente nas receitas.
Gel de
linhaça
Cozinhe duas colheres de linhaça em meio copo de
água. Coe ainda quente e utilize uma colher (sobremesa) de gel para cada ovo.
Banana
Uma banana pequena, ou meia banana grande amassada,
funciona bem para dar liga, especialmente em receitas doces.
Amido de
milho
Duas colheres de amido de milho diluídas em 2
colheres de água substituem 1 a dois ovos em receitas
Para substituir leite:
Utilize bebidas vegetais (de
soja, de aveia, de arroz, de côco, de castanha, de avelã) ou sumo de frutas.
Para substituir creme de leite
Aveia: prepare um creme de aveia
bem grosso, com 1 copo de água e 2 a 3 colheres de aveia. Se for em flocos,
bata no liquidificador e coe. Se for
aveia em pó, basta misturar bem os ingredientes. Funciona nas receitas quando
cozido ou levado ao fogo.
Inhame: bata no liquidificador 1
inhame médio em 1 copo de água; não coe. Dá textura cremosa quando cozido ou em
receitas levadas ao fogo.
Farinha de arroz: duas colheres
de farinha de arroz em 1 xícara de água, quando cozido, vira um creme que pode
substituir o creme de leite tradicional.
Para substituir manteiga ou margarina
Utilize a mesma medida de óleo
vegetal ou de creme vegetal de sua preferência, lembrando que as
características sensoriais poderão ficar comprometidas, uma vez que os óleos
vegetais darão texturas diferentes e os cremes vegetais possuem menos lipídeos
em relação à manteiga.
Adaptado de:
Sherwood, A. Viva sem alergia.
Publifolha – 2008. São Paulo - SP
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O Laboratório de Técnica Dietética da FSP-USP já voltou às suas atividades. Em breve postaremos as fotos para que você veja como está moderno e bonito o Laboratório!








